"Liberação de íons minerais do biofilme dental em diferentes pHs"
Objetivo: O biofilme dental formado sob baixa frequência de exposição a açúcares (e.g. 2-3 vezes/dia) apresenta maiores concentrações de reservatórios minerais inorgânicos em relação à frequencias mais altas (e.g. 8-10 vezes/dia). Esses reservatórios podem liberar cálcio (Ca), fosfato (Pi) e fluoreto (F) durante uma queda de pH no biofilme dental, que atuariam como tampões minerais, mas isso não foi demonstrado. Assim, o objetivo dese estudo foi avaliar a liberação de Ca, Pi e F do biofilme dental formado sob diferentes frequências de exposição a açúcar, em pHs decrescentes. Métodos: Em um estudo in-situ, duplo-cego, cruzado, 12 voluntários utilizaram um dispositivo palatino contendo blocos de esmalte humano, submetidos ao acúmulo de biofilme dental e exposição à glicose 0, 2 ou 8 vezes/dia. No 14º dia, o biofilme foi coletado e Ca, Pi e F extraídos com tampões pH 6,5, 5,5 ou 4,5, ou HCl 0.5 M para extração total. Resultados: O biofilme formado na ausência de glicose apresentou a mais alta (p<0.05) concentração (média±DP, µmol/g, n=12) de Ca, Pi e F totais (94,1±52,0, 90,2±41,0 e 2,5±1,9, respectivamente), que diminuiu significativamente nas freqüências de exposição de 2 vezes/dia (45,7±27,5, 45,1±18,6 e 1,8±2,0) e 8 vezes/dia (14,0±9,0, 18,5±11,0 e 0,6±1,3). Para Ca e Pi, aproximadamente 50% dos reservatórios foram liberados em pH 5,5, e aproximadamente 80% em pH 4,5. Menos de 20% do F total foi extraído nos pHs 6,5e 5,5, mas essa proporção aumentou para aproximadamente 60% no pH 4.5. O padrão de liberação nos diferentes pHs foi similar para os biofilmes formados sob as diferentes condições. Conclusão: Os resultados sugerem que os reservatórios minerais do biofilme dental podem apresentar potencial anticárie porque podem mudar o grau de saturação do fluido do biofilme em relação aos minerais dentais nos pHs induzidos pela fermentação ácida no biofilme.